A vida é dura
Segunda-feira, 10 Novembro 2008No dia 25 de outubro, sábado, fui beber com minhas amigas no Centro. Lá me deparei com um molequinho boa-pinta chamado Renan. Muito sorridente, simpático e brincalhão, vendeu pra Carla um pacotinho de chicletes a um real. Depois de conversar um pouco com a gente, acabou sentando à mesa. Perguntou se alguém tinha video-game no celular pra poder brincar um pouco. Como ninguém tinha esse tipo de aparato tecnológico, acabamos optando pelo tradicional jogo da velha; com papel e caneta em punho, brincamos um pouco e depois fizemos algumas charadas com desenhos toscos e enigmáticos.

Passado o momento de lazer e descontração, Renan disse que estava muito cansado e que só poderia retornar ao seu lar depois de vender tudo o que tinha, o que me deixou consternado… Sua caixinha de chicletes ainda estava lotada! Com apenas dez anos de idade, ele percorre o centro da cidade diariamente a fim de tirar uns trocados pra família. É uma tarefa árdua e extremamente monótona para um garoto que deveria estar estudando e brincando. Nitidamente pregado de sono, acabou dormindo debruçado sobre a mesa e só acordou - quase uma hora depois - com a chegada de seu irmão mais velho, que já estava de mãos vazias. Observação: eram nove da noite e ainda havia muitos chicletes a serem vendidos.
Lamentavelmente, realidade como a de Renan é algo muito fácil de se encontrar hoje em dia… Nessas horas que vejo que devemos ao menos fazer a nossa parte. E, sinceramente, a nossa parte não é dar dinheiro ou comprar as tais balinhas. Acho que o importante é tratar essas pessoas com respeito, dignidade e - sempre que possível - carinho. São as boas atitudes de terceiros que tornam o cotidiano dessa garotada desfavorecida menos dura e cruel. Como dizem, gentileza gera gentileza!







