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Preparando-me para a demonstração

domingo, 7 outubro 2007

Acordamos às 8 da manhã para uma aula no Ibaraki Dojo com Watahiki Sensei, 7º dan. O treino foi ótimo e fiz algumas das técnicas com alunos que ainda não havia conhecido. Estudamos ikkyo, kokyu, iriminage e kotegaeshi; nesta aula, tivemos a participação especial de Keith Olen Barger, da Dinamarca, que já esteve em Iwama várias vezes e, hoje, estava de passagem pelo Ibaraki Dojo. Após nos apresentarmos, perguntei-lhe se conhecia Sensei Carlos Nogueira e ele, de imediato, abriu um sorriso e disse: “Claro! Tenho várias fotos em que estamos juntos.”; presenteou-me com seu cartão de visita e então partiu.

Tive a oportunidade de assistir ao exame para 5º kyu de Enzo e mais dois alunos. Foi interessante observar as técnicas que eram exigidas, bem como a forma como eram executadas. No evento, estavam presentes Inagaki e Kubota Sensei.

À tarde, fomos a Tsukuba comprar bokkens, jos e tantos. Após mais de uma hora na loja, seguimos para o dojo - que funciona dentro de um clube - e treinamos para a demonstração que ocorrerá no Budokan Dojo, no dia 21 de outubro, que envolverá todos os grupos de Aikido da região de Ibaraki afiliados à Aikikai.

De volta ao Aiki House, recebi a surpreendente ligação do meu amigo Gustavo José, também conhecido como Gaburah. Foi ótimo falar com ele! Fui dormir depois de meia-noite, após quase uma hora ao telefone.

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Festival de Fogos de Artifício

sábado, 6 outubro 2007

Pela manhã, fomos treinar com Nemoto Sensei. Da mesma forma que em Mito, o dojo não é fixo e não há tatami; apenas um tapete fino é colocado sobre o piso de madeira da sala, que fica situada dentro de uma espécie de clube. Após a aula, tomamos um banho no ofurô do clube a fim de relaxarmos um pouco.

À tarde, desloquei minhas coisas para o quarto onde Staffan está alojado, pois o cômodo em que eu estava será utilizado pela nova uchideshi, que deve chegar à noite da Austrália. Eu e Martin acabamos com a comida que ainda restava na panela e, desta forma, fomos ao mercado comprar ingredientes para as próximas refeições.

Enquanto Staffan acompanhava Nemoto Sensei até Narita para receber a nova uchideshi, eu, Martin e Robin fomos até a cidade de Tsuchiura para o Festival - na verdade, uma competição - de Fogos de Artifício; Enzo, sotodeshi do Ibaraki Dojo, também foi conosco. Havia gente para todos os lados e, depois de uma longa caminhada, chegamos a um bom lugar para apreciar o show; os fogos eram lançados de um lago para garantir a segurança dos observadores e, comparativamente, eram muito superiores à pirotecnia do Reveillón na Praia de Copacabana. Definitivamente, foi um belo de um evento.

Retornamos ao Aiki House muito cansados e aguardamos pela chegada de Staffan e Neela, a nova hóspede da casa. Assim que apareceram, troquei de roupa e fui me deitar.

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Tranqüilidade

sexta-feira, 5 outubro 2007

Mais um dia de treino no Budokan Dojo com Nemoto Sensei. Hoje, porém, o treino começou às 6 horas da manhã. Fizemos sankyo e yonkyo, e mais uma vez tive minha mão esquerda destruída por Nemoto. Na segunda parte da aula, voltamos a estudar os dois lados do sanjuichi-no-jo (kata 31), o que garantiu incontáveis erros de minha parte.

Como tínhamos tempo de sobra até a próxima aula, no Ibaraki Dojo, eu e os suecos retornamos ao Aiki House para dormir um pouco mais e comer alguma coisa. Em seguida, partimos para Tomobe, que fica a uns 30 minutos de bicicleta. A vista é maravilhosa e, ao longo do percurso, passamos por vários campos e áreas de plantio. Apesar de haver chovido pela manhã, o tempo abriu e o sol estava firme e forte.

Fomos experimentar novos sabores num restaurante que servia ramen. Depois, prosseguimos para uma casa de kaiten-sushi - onde inúmeros pratos passam diante dos seus olhos, por meio de uma esteira móvel - e, então, fomos ao mercado comprar comida, bebidas e tomar sorvete. O passeio foi muito agradável e, após o show gastronômico, retornamos ao Aiki House para descansar um pouco mais.

No Ibaraki Dojo, o treino de sexta-feira é conduzido por Kubota Sensei, 5º dan, que foi aluno de Saito Sensei. Apresentei-me a ele e, pouco depois, a aula foi iniciada. Achei sua técnica muito boa; apesar de baixo e magro, Kubota é muito vigoroso e possui uma excelente postura. Sua base é bem aberta e seus movimentos são muito amplos.

Terminado o treino, Kubota Sensei permaneceu no dojo conversando com os alunos e dando algumas dicas sobre como rolar em determinadas situações. De uma simpatia tremenda, Kubota mostrou que é possível treinar com seriedade e dedicação, sem jamais perder o bom-humor; sua empolgação com o Aikido é contagiante e acaba deixando os alunos à vontade para dar o melhor de si e tirar eventuais dúvidas no decorrer do treino.

Procuro não pensar muito na minha casa e na vida que levava no Brasil, pois a saudade que tenho é enorme. Por outro lado, meu dia-a-dia em Iwama é de fazer inveja a qualquer um; não sei o que é estresse, barulho, poluição ou violência… Até o momento, não consigo imaginar lugar melhor que Iwama.

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Dame!

quinta-feira, 4 outubro 2007

Hoje, chegamos atrasados no Budokan Dojo e Nemoto Sensei já se encontrava no local. Estava à espera de um esporro quando ele nos recebeu com seu habitual sorriso. Durante a segunda hora de treino, estudamos alguns kumi-tachis e o desastre era inevitável. Dame! Dame! Dame! Praticamente tudo o que fazia saía errado, por mais que eu me esforçasse. Pra piorar, minha memória não é muito boa e, por várias vezes, tive dificuldade em recapitular os movimentos iniciais. Saí desanimado da aula; porém, como sou brasileiro (e chato), não desisto nunca!

Martin, que é cozinheiro profissional, não havia preparado o almoço. Sendo assim, resolvemos comprar algo no mercado. Comi um cup noodle bem semelhante ao nosso Miojo e parti com os suecos para a lavanderia. O tempo estava ótimo e o sol deu o ar de sua presença. Cerca de uma hora se passou até que os dogis deles - minhas roupas não estavam inclusas nesta missão - estivessem completamente lavados e secos. Para surpresa de todos, os uniformes continuavam um tanto quanto mal-cheirosos e as manchas permaneciam intactas. Ou seja, um completo desperdício de tempo e dinheiro. Interessante foi descobrir que havia um casal de brasileiros - um oriental e uma morena - no estabelecimento. Embora eu tenha percebido que eles estavam falando português e eles, acredito, tenham ouvido eu falar sobre o Rio de Janeiro para Staffan - com o meu inglês brazuca pra lá de enferrujado - não chegamos a fazer contato.

Depois de retornarmos ao Aiki House, eu e Staffan fomos ao Aiki Jinja. Embora tenha passado por lá na segunda-feira à noite, estava muito escuro e não pude ver o famoso templo do Aikido. Fiquei fascinado com o lugar, que conta com lindas árvores e uma atmosfera tranquila e bucólica.

Após tirarmos inúmeras fotos do local, partimos para o túmulo de Morihiro Saito Sensei, que fica muito próximo do Aiki House. Mais uma vez, tiramos algumas fotos e continuamos o passeio - desta vez, de bicicleta - até a cachoeira (artificial) que, pelo que soube, foi construída por Saito Sensei. No caminho, é possível ver a casa onde ele nasceu. A paisagem durante todo o percurso é linda e a quantidade de verde impressiona. Estranhamente, tive a sensação de já ter estado lá… Acho que este tipo de coisa acontece quando encontramos algo realmente especial em nossas vidas. :)

Na volta, o sol já estava se pondo e corremos para não ficarmos na escuridão. Tivemos apenas 30 minutos de descanso entre o passeio e o treino no Ibaraki Dojo. Somente eu e Staffan fomos treinar, pois quinta-feira é dia de Isoyama Sensei e, segundo Martin e Robin, ele costuma quebrar braços e devorar criancinhas no café da manhã. Bem, brincadeiras à parte, achei sua aula muito boa; ele é didático e atencioso, e me pareceu ser bastante simpático também.

Apesar do estilo de Isoyama ser proveniente do Hombu Dojo, suas técnicas são muito fortes. Pelo que pude perceber, ele enfatiza a velocidade e a fluidez dos movimentos, o que garante um ritmo de treino bastante acelerado e vigoroso.

Ao final da aula, Isoyama Sensei quis saber o porquê de eu estar sentado entre os alunos de faixa marrom - atualmente, no Ibaraki Dojo, a faixa marrom corresponde ao 1º e 2º kyu, enquanto que a faixa branca é destinada aos demais kyus - e, ao saber que eu era 2º kyu apesar da minha faixa branca, ele me perguntou se eu tinha o certificado de graduação comigo e se este era da Aikikai; de imediato, fiquei sem saber o que dizer, mas acabei lhe informando que não havia trazido o documento chacelado pela Aikikai e o assunto acabou se dando por encerrado.

Chegando no Aiki House, fiz minha última refeição do dia. Deitei-me com muitos questionamentos e incertezas na cabeça, porém feliz e - mais do que nunca - animado para o dia que estava por vir.

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Aiki-jo

quarta-feira, 3 outubro 2007

Iniciamos o dia um tanto atrasados e tivemos de devorar o café da manhã para recebermos devidamente Nemoto Sensei no Aiki House. Dessa vez, tivemos uma hora de treino, tempo suficiente para treinarmos os dois lados do sanjuichi-no-jo (kata 31) em duplas.

Inicialmente, tive muita dificuldade em acompanhar os detalhes mostrados por Nemoto. Mas, ao final, acredito ter conseguido “apreender” o básico. Estudamos até o 12º movimento e terminei a aula com a impressão de que preciso treinar muito mais bukiwaza… Bem, na verdade, a impressão se converteu rapidamente em certeza. :)

À tarde, comecei a ter calafrios - o que, no meu caso, é sinal de febre - provavelmente por conta da chuva que peguei voltando do treino na segunda-feira à noite. Preferi não comparecer à aula no Ibaraki Dojo e me concentrei em acabar o mais rápido possível com a febre, enquanto ainda estava baixa. Por volta de 9 horas da noite, a sessão de calafrios parecia ter desaparecido e resolvi acompanhar Staffan até o supermercado; aliás, meu jantar - um yakisoba acompanhado de uma espécie de filé de peixe - custou apenas 110 ienes, o que corresponde a menos de R$2,00, ou seja, um negócio da China.

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Onde estou?

terça-feira, 2 outubro 2007

É horrível ter a sensação de que está em casa e, ao acordar, constatar que você se encontra num lugar completamente estranho. Foi exatamente o que aconteceu comigo… Fui acordado com a música eletrônica de Staffan, pois estava na hora de nos arrumarmos para o treino matinal no Budokan Dojo, em Iwama. Tomamos um rápido café da manhã e partimos de bicicleta para o dojo, que fica a uns 10 minutos do Aiki House. Assim que chegamos, limpamos o tatami e nos preparamos para recepcionar Nemoto Sensei.

Ao todo, treinamos uma hora de taijutsu e mais uma hora de aiki-ken. Finalmente, pude conhecer o Aikido de Nemoto Sensei; fiquei impressionado com sua força e técnica. Fizemos tai-no-henko, kokyu-ho, ikkyo e nikyo. Fui convocado como seu uke - para quem não sabe, é aquele que apanha - para a demonstração de nikyo e por pouco não tive minha mão quebrada. O braço do Sensei é uma tora e dá a impressão de que, com ou sem Aikido, ele vai te levar pra onde quiser no tatami.

No treino de aiki-ken, pude perceber como estou longe do meu objetivo. Tão logo iniciamos o ichi-no-suburi, ele me interrompeu para dizer que estava realizando o corte de modo errado, exatamente como Sensei Carlos Nogueira observou em minha última visita ao Yamakaze Dojo. Fui corrigido inúmeras vezes e comecei a ficar tenso com a situação… Não conseguia acertar nada, absolutamente nada. Somente durante a execução de migi e hidari-no-awase é que voltei a ficar calmo.

À tarde, eu, Robin e Martin pegamos o trem para Mito - cidade próxima de Iwama - a fim de passarmos um tempo na Internet. Antes, porém, tive de trocar alguns dos meus Travelers Cheques por dinheiro no Joyo Bank, em Iwama mesmo; isto nos tomou cerca de uma hora, pois o atendente não falava inglês e parecia bastante confuso com o procedimento necessário à conclusão da operação.

Em Mito, fomos a uma LAN House e, cerca de uma hora depois, nos dirigimos a Haagen-Dazs para tomar um sorvete. Em seguida, voltamos para Iwama.

À noite, tivemos a presença de Nemoto Sensei e Shigemi-san no Aiki House, pois toda terça-feira é dia de confraternização, onde cada uchideshi prepara um prato típico do seu país. Nemoto chegou carregado de comida e trouxe, entre outras coisas, miso, tofu, legumes, peixe e cogumelos para cozinhar - com a nossa participação - o seu tradicional aiki-nabe. Os suecos haviam preparado uma sopa e, desta forma, tínhamos dois pratos principais e uma série de petiscos.

Nemoto me fez tomar um tipo de bebida gelada que Saito Sensei gostava; no entanto, não a achei nada saborosa. Infelizmente, após terminar meu copo, fui impelido a beber mais uma imensa dose… Em seguida, experimentei uma outra bebida que Saito Sensei costumava tomar; embora não tivesse tanto álcool, a bebida tinha um sabor muito forte e parecia ter o triplo do seu teor alcoólico. Depois, Nemoto me pediu para abrir uma das garrafas de sake que recebera como presente de um de seus uchideshis e, finalmente, pude apreciar uma boa bebida.

Nemoto Sensei contou várias histórias sobre os velhos tempos de Iwama, falou sobre Saito e Inagaki, e algumas de suas experiências como sotodeshi de Saito Sensei. Com a ajuda de um tradutor eletrônico e inúmeros gestos, eu e os suecos conseguimos entender quase tudo.

Mais tarde, Shigemi-san apareceu. Além de ser grande amiga de Nemoto, ela também é uma aikidoísta de longa data e treinou com Saito Sensei; entretanto, após sua morte, ela deixou o Ibaraki Dojo e hoje treina com Hitohiro Saito - filho de Saito Sensei - no Shin Shin Aiki Shurenkai Dojo. Por incrível que pareça, ela tem um bom domínio da língua inglesa e logo estava desempenhando o papel de intérprete. Rimos muito ao longo da noite e terminamos a confraternização completamente fartos. Para minha surpresa, não fiquei embriagado.

Shigemi-san deixou o Aiki House uns 20 minutos depois de Nemoto Sensei e, rapidamente, tratamos de limpar toda a bagunça. Estávamos exaustos e fomos dormir o mais rápido possível; afinal de contas, tínhamos treino na manhã do dia seguinte.

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Enfim, Iwama

segunda-feira, 1 outubro 2007

Aqui estou eu para, finalmente, relatar a minha chegada no Japão. A viagem foi tranqüila. Do Rio a Atlanta, o vôo foi muito rápido; dormi durante quase todo o trajeto. Já não posso dizer o mesmo de Atlanta a Tokyo; embora tenha tentado dormir a maior parte do tempo, a ansiedade era grande e o assento já não me acomodava tão bem. Para piorar, o sistema (informatizado) do avião estava com problemas e ninguém pôde assistir a qualquer filme. Sendo assim, o jeito foi ouvir música e estudar um pouco da língua japonesa.

É interessante observar que o percurso de Atlanta a Tokyo é, digamos, peculiar: o avião foi da costa leste dos Estados Unidos até a costa oeste, em diagonal, passando pelo Canadá até atingir o Alaska, mais propriamente o Estreito de Bering; de lá, o avião desceu pela Rússia até chegar, finalmente, à terra nipônica. Senti-me realizando, literalmente, uma volta ao mundo.

Ao sobrevoar o Japão, pude constatar que ainda existem enormes áreas verdes de mata e, principalmente, plantações. Hokkaido, a ilha mais ao norte, por ser uma região mais fria e remota, tem enormes áreas não habitadas.

Quando desembarquei, tive de enfrentar uma fila de aproximadamente 30 minutos - nos EUA, levei cerca de 1 hora - até ser atendido por um dos agentes da imigração japonesa. Não sei porque, ele me mandou para uma salinha anexa aos balcões de atendimento. Fiquei extremamente preocupado, mas tentei não mostrar qualquer tipo de nervosismo. Após 10 minutos de espera, um agente me devolveu o passaporte com o visto liberado. Ufa! Ah, um adendo: nos EUA, também tive de ficar numa sala especial por cerca de 5 minutos até ser dispensado; fui perguntado se já havia ido ao México e, após um rápido interrogatório, tive o meu passaporte devolvido com um visto de permanência de 6 meses, não sei pra quê.

Após passar pela Alfândega, tive de abrir uma de minhas malas e mostrar o que estava levando. O agente educadamente me perguntou, em inglês, se estava trazendo algum presente. Após a resposta afirmativa, ele me indagou - de olhos fechados e sorrindo - se havia algum tipo de droga, como marijuana, para os amigos. Enquanto eu mostrava o conteúdo da mala, ele viu uma cópia da carta-convite - um documento que recebi de Shigemi-san, amiga de Nemoto Sensei, necessário à aquisição do visto japonês no Brasil - que levava comigo. Ao ver que meu propósito era treinar Aikido, ele me liberou na hora. Ave!

Ao atravessar a última porta, lá estava Nemoto - sem barba, sentado e quieto - à minha espera; aliás, ele já me aguardava há algum tempo. Falei as frases que havia decorado em japonês e ele me cumprimentou sorrindo. Partimos em seu Nissan dourado com GPS (Global Positioning System) integrado. Observação: estava chovendo. :(

A viagem levou cerca de 1,5 hora, acredito eu. A vista era muito bonita, com extensas áreas verdes, casas de todo o tipo e uma estrada com sinalização de fazer inveja. Para minha surpreza, Nemoto Sensei fala um inglês precário, mas suficiente para entender a maior parte das coisas; em meio a 10 palavras em japonês, ele consegue soltar uma palavra em inglês que ajuda na dedução do tema do diálogo.

Nemoto Sensei é mais baixo do que imaginava, mas tem um porte forte - como a maioria dos mestres japoneses - e, como já disse anteriormente, está sem barba. Porém, ele continua com sua tradicional pochete.

Ao chegar no Aiki House - casa onde os uchideshis de Nemoto Sensei ficam hospedados - fui recebido por 3 suecos: Staffan, Robin e Martin. Todos eles foram muito educados e atenciosos comigo. Staffan é o instrutor de Robin e Martin e, embora seja somente 2º kyu, ele é um ótimo aikidoísta, assim como seus alunos, que são 4º kyu. Assim que cheguei, Staffan pegou toda a minha bagagem e a levou para um dos quartos no 2º andar, tudo de uma só vez. Obs.: minhas malas pesavam, ao todo, cerca de 60 quilos. :)

Nas primeiras horas, Staffan se concentrou em me explicar as tarefas do dia-a-dia, os horários, o funcionamento das coisas na casa e algumas regras de etiqueta. Em seguida, nos preparamos para a aula com Inagaki Sensei, no Ibaraki Dojo. Preenchi o formulário de inscrição, peguei o presente de Inagaki, separei a grana necessária para matrícula e um mês de aula, e lá fui eu com os suecos para o dojo, que fica a uns 10 minutos de bicicleta do Aiki House.

Chegando no Ibaraki Dojo, fui apresentado aos uchideshis de Inagaki Sensei e demais alunos (sotodeshis). Tinha gente da Finlândia, Bulgária, EUA, Inglaterra e Myanmar, só pra se ter uma idéia da diversidade de etnias.

A aula com Inagaki Sensei foi excelente, do mesmo modo que seu seminário no Brasil. O treino foi puxado e, ao todo, fizemos 8 técnicas. Havia poucos shodans e, por incrível que pareça, eu fiquei no meio da fileira de alunos. Ao final da aula, entreguei o presente e ele me informou que a festa de comemoração pela minha chegada seria adiada para outro dia, pois já tinham realizado uma série de confraternizações nos dias anteriores.

Assim que retornei ao Aiki House, vi o resultado do meu péssimo ukemi: dores nas costas, nos quadris e joelhos. O tatami do Ibaraki Dojo é duro pacas e a sua textura só contribui para piorar a situação. Meus pés, por sinal, ficaram completamente ralados.

No jantar, comi uma espécie de sopa com curry que Martin havia preparado - que, diga-se de passagem, é cozinheiro profissional - e fui dormir. Estava exausto e dolorido, e caí no futton como uma pedra… E lá se foi meu primeiro dia em Iwama.

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