Gaku Homma, um cara fora de série
segunda-feira, 27 agosto 2007No fim de semana que passou, tive a oportunidade de participar de um dos melhores seminários dos últimos tempos. Gaku Homma, 8º dan – que é dirigente da Nippon Kan, grupo independente de Aikido, e fundador da AHAN, organização sem fins lucrativos dedicada a ações humanitárias – veio novamente ao Brasil ministrar um belo seminário de Aikido.
Infelizmente, não pude comparecer na sexta-feira, mas aproveitei ao máximo os dias que se seguiram. Graças ao meu grande amigo e companheiro de treino Bruno Pinheiro, não fui o único a representar a Escola Meirelles de Aikido. Ao chegarmos, fomos muito bem recebidos pelos integrantes da Nippon Kan e demais participantes. O evento foi sediado no campus da UniverCidade Recreio, o que proporcionou um ambiente muito tranquilo e agradável. Para minha surpresa, o ginásio contava com um enorme tatami em relação à quantidade de pessoas, garantindo a segurança de todos durante as técnicas de Aiki-ken e Aiki-jo.
Pude rever aikidoístas que muito prezo como, por exemplo, os professores Valerio Massimo Esposito e Marco Antonio Barcelos, este fazendo uma breve visita no sábado. O evento contou com a presença de Claude Walla, 6º dan, Sr. Ikeda, cônsul-geral do Japão no Rio de Janeiro, e logicamente Luc Leoni, 5º dan, presidente da Nippon Kan Brasil.
Para mim, Gaku Homma deixou muito claro que Aikido não é apenas palavras, nem somente golpes. Aikido é um caminho, um estado de consciência, um modo de viver que deve ser trilhado dia após dia, ininterruptamente, conforme a idealização do seu fundador. Deve-se evitar todos os tipos de conflito, porém sempre estando preparado para eles. Marcialidade é observação, é sensibilidade, é atitude na intensidade, tempo e lugar corretos. No Aikido, entretanto, essa marcialidade é composta por pelo menos um elemento de grande relevância: a auto-preservação e integridade física do parceiro; esta peculiaridade está diretamente ligada ao conceito de não-agressão. Ao permitir que o seu “adversário” saia ileso de uma situação de conflito, ninguém sai ferido e a luta não chega a um desfecho traumático. No dia-a-dia, ao evitarmos – ou resolvermos de modo pacífico – possíveis brigas e discussões, o rancor e o ódio deixam de ser disseminados/perpetrados e a paz é assegurada.
Para chegarmos ao nível de “desprendimento” exemplificado por Gaku Homma, é necessário muito treinamento, perseverança e dedicação. Devemos adquirir um grande auto-conhecimento, reconhecer nossas fraquezas e estar dispostos a melhorá-las, de modo a manter a serenidade em toda e qualquer situação. Enfim, precisamos estar em harmonia com nós mesmos.
Particularmente, gostei muito das correlações entre Aiki-ken, Aiki-jo e Tai-jutsu. Graças à didática inteligente e objetiva de Gaku Homma – e ao esforço de William Soares na tradução simultânea – todos os movimentos foram bem fáceis de entender e simples de executar. Além disso, as fascinantes histórias de Homma Sensei, sempre contadas com muita descontração, foram bem pontuais e já estão devidamente integradas ao meu repertório de conhecimento sobre Aikido.
Posso dizer que Gaku Homma – além de ser um excelente aikidoísta e um grande estudioso da arte – é um ser humano de muito bom coração, realizando um trabalho exemplar por meio da Nippon Kan e AHAN. Neste seminário pudemos perceber sua inegável importância no cenário mundial de Aikido, bem como a influência que sofreu de O Sensei e Morihiro Saito.
Por fim, gostaria de agradecer a todos os envolvidos na organização deste magnífico evento. É sempre muito bom treinar num ambiente amigo e acolhedor, e melhor ainda é terminar o dia cansado e com aquela sensação de dever cumprido. Espero que a trajetória de Gaku Homma sirva de inspiração para muitos aikidoístas que, como eu, buscam a essência do Aikido. No mais, já adianto que estou aguardando ansiosamente o retorno de Homma Sensei ao Brasil.






Últimos Comentários